Na semana passada, o post (Você sabe se comunicar?) de minha coluna foi dedicado à importância da comunicação não verbal. Como dito anteriormente, aquele foi o primeiro de três artigos a respeito das habilidades sociais. Hoje,  trataremos mais a fundo sobre a comunicação verbal.

“Qualquer um pode ficar zangado. Isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na intensidade correta, no momento adequado, pelos motivos justos e da maneira mais apropriada, isto não é fácil”. Aristóteles.

Habilidades sociais, por definição, são um conjunto de capacidades comportamentais aprendidas que envolvem interações sociais (Caballo, 1996; Del Prette e Del Prette, 1999). Por um comportamento habilidoso ou adequado, referimo-nos à expressão de atitudes, sentimentos, desejos, opiniões e crenças, respeitando a si mesmo e aos outros. Esse tipo de comportamento é assertivo e viabiliza a solução de problemas que podem estar envolvidos nas situações e diminui a probabilidade de problemas futuros (Caballo, 1996).

A assertividade é uma característica muito marcante de pessoas com boas habilidades sociais. Assertividade é a expressão clara, direta, honesta e apropriada dos próprios pensamentos, sentimentos e crenças, de forma a não violar os direitos dos outros. Pessoas assertivas se expressam sem se sentirem tão ansiosas perante os demais, resolvem bem seus problemas e conseguem negociar melhor. Elas modulam adequadamente a forma de falar, considerando a escolha das palavras, o volume e o tom de voz, além de manter o contato visual com seus interlocutores. Olhando de uma forma bem simples, é o meio termo entre ser passivo e ser agressivo, já que o assertivo não se omite, mas também não agride ninguém. Geralmente, o desenvolvimento de comportamentos assertivos proporciona uma melhora muito significativa das interações sociais.

Para Del Prette e Del Prette (2001), a assertividade é apenas uma de seis categorias de habilidades sociais. São elas:

Habilidades Sociais de Comunicação:

Envolvem os elementos básicos de se comunicar, como fazer e responder a perguntas; gratificar e elogiar; pedir e dar feedback nas relações sociais; iniciar, manter e iniciar conversas.

Habilidades Sociais de Civilidade:

Dizer por favor, agradecer, apresentar-se, cumprimentar, despedir-se.

Habilidades Sociais Assertivas de Enfrentamento:

Manifestar opinião, concordar, discordar; fazer aceitar e recusar pedidos; desculpar-se e admitir falhas; estabelecer relacionamento com o sexo oposto; encerrar um relacionamento; expressar raiva e solicitar mudança de comportamento; interagir com autoridades e lidar com críticas.

Habilidades Sociais Empáticas:

Empatia é a capacidade de reconhecer sentimentos e identificar-se com a perspectiva do outro, manifestando reações que expressem essa compreensão e esse sentimento (Roberts e Strayer, 1996 apud. Del Prette e Del Prette, 1999). Habilidades sociais empáticas envolvem parafrasear, refletir sentimentos e expressar apoio ao outro.

Habilidades Sociais de Trabalho:

Envolvem comportamentos úteis para a resolução de problemas e para o gerenciamento de uma equipe. São consideradas habilidades sociais de trabalho coordenar grupos, falar em público, resolver problemas, tomar decisões e mediar conflitos.

Habilidades Sociais de Expressão de Sentimento Positivo:

Fazer amizade, expressar solidariedade e cultivar o amor.

Muitos problemas de relacionamento estão ligados à falta de habilidade social. Na verdade, não é muito fácil encontrar pessoas que dominem com maestria a arte de se relacionar. Em meu consultório, a maioria dos pacientes que se queixa de relacionamentos tem dificuldade em expressar-se de forma assertiva – geralmente são pessoas que engolem sapos com facilidade ou têm pavio curto demais. Porém, há treinamento especializado para ajudar as pessoas a desenvolver formas de interação mais satisfatórias.

Comunicar-se melhor pode ser a solução para boa parte da ansiedade e do estresse cotidianos. Esse comportamento não deve ser deixado de lado. A leitura desse artigo deve ter gerado algum tipo de reflexão em você. Busque reparar como você tem se relacionado com as pessoas e se há alguma forma de melhorar essa interação. Se precisar, conte com um profissional. O importante é aproveitar tudo de melhor que as relações humanas podem oferecer.

Referências:

Bolsoni-Silva, A. (2002). Habilidades Sociais: breve análise da teoria e da prática à luz da análise do comportamento. Interação em Psicologia, 6(2), p. 233-242.

Caballo, V. E. (1996). O treinamento em habilidades sociais. Em V. E. Caballo (Org.), Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. São Paulo: Santos Livraria Editora.

Del Prette, Z. A. P. & Del Prette, A. (1999). Psicologia das Habilidades Sociais: Terapia e educação. Petrópolis:Vozes.

Del Prette, Z. A. P. & Del Prette, A. (2001). Psicologia das relações interpessoais. Vivências para o trabalho em grupo. Petrópolis: Vozes.