Jerome Bruner

Notável por:

  • Ser um dos líderes da “Revolução Cognitiva”;
  • Apresentar uma “nova perspectiva” sobre os estudos da percepção e da mente;
  • Escrever “O Estudo do Pensamento” em 1956 que formalmente iniciou os estudos em psicologia cognitiva, além de vários trabalhos importantes em Psicologia a Educação como Sobre o Conhecimento: Ensaios da mão esquerda (1960) O Processo da Educação (1961), Atos de Significação (1990), A Cultura da Educação (1996);
  • Desenvolver pesquisas sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças e sua aplicação à educação;
  • Enfatizar o papel da narrativa em psicologia e direito.

“Qualquer assunto pode ser ensinado efetivamente de alguma forma intelectualmente honesta para qualquer criança em qualquer estágio de desenvolvimento.” – em “O processo de educação”

Biografia

Jerome Seymour Bruner, nasceu em 1 de outubro de 1915, de uma família de imigrantes poloneses na cidade de New York nos EUA. Bruner nasceu cego, e recuperou a sua visão após uma cirurgia de catarata aos 3 anos de idade. Quando Bruner tinha 12 anos, seu pai morreu, deixando para ele uma boa herança para que realizasse seus estudos, fruto de um negócio de relógios bem sucedido. Isso permitiu que Bruner cursasse o ensino superior e conquistasse seu Bacharelado em Psicologia em 1937 na Universidade de Duke e seu doutorado em psicologia pela Universidade de Harvard em 1941.

Jerome Bruner foi um dos líderes da Revolução Cognitiva, um movimento iniciado na década de 1950 nos EUA, e que pôs fim ao reinado absoluto do behaviorismo nas pesquisas psicológicas americanas reconduzindo “a cognição” ao centro das pesquisas psicológicas. Ele começou a lecionar em Harvard em 1945, depois de servir no Corpo de Inteligência do Exército dos EUA.

Em 1952 Bruner foi professor titular do Departamento de Relações Sociais em Harvard. Em 1960, ele co-fundou o interdisciplinar, Centro de Estudos Cognitivos na Universidade de Harvard, servindo com George Miller como co-diretor, até que ele partiu da universidade em 1972 para assumir uma posição na Universidade de Oxford.

Em 1965 ele serviu como presidente da APA (Associação Americana de Psicologia). Em 1991, ele mudou-se para a faculdade de direito da Universidade de Nova York (NYU) para explorar um interesse pessoal em como a lei define o que é um comportamento “apropriado”.

Jerome Bruner morreu aos 100 anos, em 6 de junho de 2016. Ele está listado no número 28 da lista dos 100 psicólogos mais eminentes do século 20 da Associação Americana de Psicologia (APA).

Principais Contribuições

Em seus estudos iniciais, Bruner explorou como as diferentes experiências afetam a percepção. Em seu artigo “Valor e Necessidade como fatores organizadores da percepção” (Journal of Abnormal and Social Psychology, 1947) ele relatou a descoberta de que as crianças são mais propensas a superestimar o tamanho de moedas do que de discos de papelão – ele descobriu que quanto maior era o valor da moeda, mais provável as crianças eram de superestimar seu diâmetro. Além disso, ele mostrou que as crianças mais pobres eram significativamente mais propensas do que as crianças ricas a superestimar o tamanho de moedas. Em outras palavras, tanto o valor quanto a “necessidade” influenciavam na maneira como as crianças percebiam o mundo ao seu redor.

Por meio de pesquisas e observações, Bruner propôs que o comportamento humano é sempre influenciado pelo mundo e a cultura na qual vivemos. Seu trabalho ajudou a mover o campo da psicologia para além do behaviorismo dominante até a década de 1950 e impulsionar o surgimento da psicologia cognitiva.

Bruner, também contribuiu muito para a psicologia do desenvolvimento e a psicologia educacional, principalmente por ter um interesse em como as crianças aprendem. Ele argumentou que o objetivo de ensinar não é transmitir conhecimentos, mas sim ensinar aos alunos a pensar e resolver problemas por si mesmos.

Bruner defendia uma participação ativa do aluno no processo de aprendizagem, propondo o conceito de “aprendizagem por descoberta”. Em sua proposta, os professores devem criar condições para que as crianças ao explorarem a situações e tentarem resolver os problemas “descubram” o conteúdo essencial que vai ser aprendido e incorporem significativamente esse conhecimento em sua estrutura cognitiva.

Assim, Bruner defendeu o chamado “Currículo em espiral”, um método de ensino que consiste na apresentação de conceitos básicos que são ensinados em um primeiro momento e depois revistos em diferentes anos sempre aumentando o nível de profundidade, complexidade e modos de representação. Assim, as crianças primeiro aprendem o básico sobre um assunto, e depois passam a revisitar esse conteúdo e incorporar outros conhecimentos mais complexos sobre o mesmo fenômeno, como em uma espiral.

Ensinar e aprender história: Perspectivas desenvolvimentais, aprendizagem e  possibilidades de progressão a partir da obra de Jerome Bruner

Bruner também é creditado por ter sido o primeiro a usar o termo “andaime” (scaffolding) para descrever como as crianças podem se beneficiar da ajuda de alguém mais experiente para ir além do seu nível atual de conhecimento sobre alguma coisa. Na educação, por exemplo, isso se exemplifica com as instruções estruturadas pelos professores que facilitam que os alunos aprendam os conteúdos. Os professores criam situações que são um pouco mais avançadas do que o que as crianças já conhecem e dessa forma potencializam a capacidade das crianças fazendo com que elas possam aprender algo mais complexo, ou seja os professores facilitam a aprendizagem como andaimes.

No curso de suas três décadas em Harvard, Bruner publicou trabalhos sobre a organização perceptual, a cognição e teoria da aprendizagem, esses temas romperam dramaticamente com as propostas behavioristas, enfatizando a importância de estratégias e representações mentais no processamento de fenômenos do mundo real. Em seu livro seminal de 1956, “O Estudo do Pensamento” (co-escrito com Jacqueline Goodnow e George Austin), os autores relataram resultados de uma série de estudos que investigaram a formação de conceitos. As tarefas de formação de conceitos usadas por eles foram reutilizadas em inúmeros estudos por pesquisadores subsequentes e esse livro ficou conhecido como o primeiro a apresentar estudos de Psicologia Cognitiva.

Igualmente influentes foram as pesquisas de Bruner sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças. Bruner propôs um sistema de 3 camadas de representações internas: enativa (baseado em ação), icônico (com base em imagem), e simbólica (com base em linguagem). Assim, as crianças se desenvolvem progressivamente, por meio desses três modos de representação internas, ou seja, as crianças passam por três estágios de processamento e representação de informações: manuseio e ação, organização perceptiva e imagens e utilização de símbolos.

Bruner também postulou que as representações internas poderiam ser combinadas para produzir diferentes tipos de pensamento. Sua teoria diferencia entre “pensamento narrativo” (temporalmente/ causalmente sequencial, com foco em detalhes e ação) e “pensamento paradigmático” (categorização mental, por reconhecimentos abstratos, de semelhanças sistemáticas de fenômenos não relacionados).

A teoria do desenvolvimento cognitivo de Bruner é distinta de outras teorias baseadas em estágios do desenvolvimento cognitivo, pois Bruner propôs que mesmo as crianças jovens podem aprender conceitos difíceis com o apoio pedagógico apropriado, e isso prontamente leva a pensar em aplicações educacionais práticas, que o próprio Bruner ajudou a conceber e implementar .

Fontes:

Bruner, J. S., & Goodman, C. C. (1947). Value and need as organizing factors in perception. Journal of Abnormal and Social Psychology, 42(1), 33–44.

Eminent psychologists of the 20th century.  (July/August, 2002). Monitor on Psychology, 33(7), p.29.

Adaptado de:

Jerome Bruner. http://psychology.fas.harvard.edu/people/jerome-bruner

Weir, Kirsten (2015). The centenarian psychologist. Monitor, Vol 46, No. 5. http://www.apa.org/monitor/2015/05/centenarian-bruner.aspx

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