Como aprendemos a esperar para atingir objetivos

Você já parou para pensar em como muitas das vezes você fica esperando por algo que mesmo que ainda que pareça impossível você continua esperando? Pode ser um prêmio, um relacionamento, uma data, não importa o que seja, ainda que pareça impossível muitas das vezes continuamos a lutar. Você já parou para pensar o porquê algumas vezes esperamos tanto por tão pouco? Aliás, quem é que pode determinar o quanto é realmente pouco ou muito?

Um conceito fundamental em Psicologia se refere ao reforçamento. Como já diria Skinner, os reforços são as consequências dos comportamentos e como consequências eles têm o potencial de potencializar ou diminuir a probabilidade da emissão daquele comportamento no futuro. Em outras palavras, é bem provável que um comportamento que seja contingenciado (seguido) por uma consequência (reforço) agradável seja um comportamento que será mais emitido do que um comportamento seguido por pouco ou nenhum reforço agradável. Não entrarei no detalhe dos tipos de reforçamento e consequências nesse momento, aqui basta à compreensão de como essa relação funciona.

Nesse sentido, aprendemos com a vida, com o tempo, com os pais, pessoas, amigos etc, que para tudo na vida há uma consequência. No entanto, mais, além disso, aprendemos implicitamente (sem que alguém nos diga) também que às vezes os reforços demoram um pouco mais a chegarem. Nós aprendemos a esperar! Aprendemos a ter esperança! Aliás, você já tinha reparado que esperança tem o mesmo radical de esperar?

O fato é que nós aprendemos que os reforços, às vezes vêm todas sempre que fazemos um comportamento (beber água e a sede passar), às vezes o reforço chega após um tempo de emissão do comportamento (trabalhar 30 dias e receber o salário, estudar 4 anos para ganhar um diploma), outras vezes o reforço chega depois de uma quantidade de comportamentos específica (arrumar o quarto 5 vezes e ganhar um presente).

Outras vezes, na verdade na maioria das vezes, os reforços não obedecem regras tão claras e podem chegar em momentos inesperados. Você procura vários empregos, mas apenas um te chama para trabalhar, sem que para isso exista uma quantidade de buscas ou de tempo necessário. Você telefona ou escreve para alguém e às vezes recebe respostas rápido, outras vezes demora, outras vezes não recebe respostas. E o que nós mantem nesses comportamentos? A esperança! A esperança diluída em pequenas frações de reforços que se obtém durante todo o tempo. Às vezes o que parece nada para todos é o tudo de alguém. Cuidado para não minimizar as esperanças alheias!

Cortar o tempo Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente Carlos Drummond de Andrade

Enfim, a vida é feita de ações e consequências, e essas consequências têm o potencial de fazer com que continuemos ou não a fazer essas ações novamente. No entanto, devido às irregularidades com as quais os reforços chegam, nós aprendemos a ter esperança e por termos esperança às vezes os comportamentos se mantem por mais tempo do que deveriam. Como saber por quanto tempo é preciso continuar com comportamentos sem reforços? Somente você saberá se foi o tempo necessário, para o que quer seja. Pode não ser o tempo para outras pessoas, mas foi o seu tempo necessário e é isso que importa. Aliás, “a única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível” (Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll).

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