Você sabe o que é Psicologia Cognitiva?

Pensando sobre o que escrever e lembrando do seminário que irei apresentar no mestrado em breve, resolvi escrever sobre a abordagem que utilizo e estudo na Psicologia. Assim, escrevo hoje para falar um pouco sobre a Psicologia Cognitiva. Afinal, você sabe o que é Psicologia Cognitiva?

Aposto que logo lhe veio à mente a ideia de Psicoterapia Cognitiva, ou ainda, a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental. No entanto, lhe garanto que não é disso que estou falando. A Psicologia Cognitiva não tem quase nada a ver com essas Psicoterapias que citei, digo quase nada porque apesar de tudo, todas as três se importam com o cognitivo, isto é, a mente ou pensamento.

Acho que agora já estou delimitando um pouco melhor o que quero dizer. A Psicologia de modo geral, como ciência, possibilita uma variedade de perspectivas e não tem uma corrente única de pensamento. De tal modo, que várias escolas de Psicologia coexistem desde sua “fundação” e algumas dessas correntes teóricas predominam em um ou outro momento histórico ou ainda em contextos sociais diferentes.

Nesse sentido, no início do século passado até meados da década de 1950 predominavam nos EUA os conhecimentos advindos do behaviorismo metodológico de Watson e do Behaviorismo Radical de Skinner. Em meio a esse contexto que privilegiava o mundo material e objetivo, alguns psicólogos começaram a se inquietar com a exclusão dos termos mentalistas na Psicologia e começaram o que podemos considerar como uma revolução: a revolução Cognitiva.

Essa discreta revolução, começou com algumas publicações e apresentações em congressos de psicólogos que retomavam o uso de termos mentais nos anos 1950. Aliado a isso a invenção dos computadores e da Inteligência Artificial impulsionou a reflexão da mente como um processador de informações. Por esse motivo a abordagem da Psicologia Cognitiva é também chamada de abordagem do processamento da informação.

Os conhecimentos da Psicologia da Gestalt que mantinham vivo o interesse da Psicologia pelo estudo da consciência e os estudos de Piaget sobre a construção do conhecimento também foram importantes nesse cenário do resgate dos termos mentais. Vale lembrar que muitos dos estudos da área também foram influenciados pelos estudos de Neuropsicólogos, o que culminou no que chamamos hoje de Neuropsicologia Cognitiva e que integra as chamadas Ciências Cognitivas.

Já nos anos 1960, dois psicólogos norte-americanos impulsionaram ainda mais essa revolução: George Miller e Ulric Neisser. Miller estudou os modelos de mente baseados nos computadores, assim como a linguagem e a memória. Ele também foi responsável por juntamente com outro famoso psicólogo Jerome Bruner (1915 -) criar em 1960 em Harvard um centro de estudos sobre a mente humana, o qual foi denominado de Centro de Estudos Cognitivos, utilizando a palavra Cognição para destacar a cisão com o behaviorismo e o retorno ao uso de termos mentalistas.

Enquanto Neisser é conhecido como o pai da Psicologia Cognitiva (há controvérsias, uma vez que ninguém “queria” ser reconhecido como pai de uma revolução), pois em 1967, publicou um livro intitulado Cognitive Psychology (Psicologia Cognitiva). Nesse ele descrevia a forma como entendia a Psicologia e como ele acreditava que deveria ser enquanto psicólogo. Esse livro se tornou um primeiro esboço mais estruturado da área. Neisser, definiu a Psicologia Cognitiva como “o estudo de como as pessoas aprendem, organizam, armazenam e utilizam o conhecimento” (Sternberg, 2010, p.10).

Bom, desde os anos 1950 até os dias atuais diversos psicólogos aderiram a essa área de estudos e a Psicologia Cognitiva já está muito mais consolidada enquanto uma corrente de Psicologia. A Psicologia Cognitiva se constitui então em uma área da Psicologia que entende a cognição como um sistema que organiza as funções cognitivas (memória, linguagem, percepção, pensamento, etc). A crença fundamental por trás dessa perspectiva é que esse sistema só é possibilitado por uma estrutura física que no caso é o cérebro. Uma associação que poderíamos fazer para exemplificar é que a cognição funciona como nosso sistema operacional enquanto nosso cérebro é nosso hardware, cada função cognitiva é um software.

Uma pergunta que você pode estar se fazendo agora é se as Psicoterapias Cognitiva e Cognitiva-Comportamental não são o mesmo que Psicologia Cognitiva. Então, a resposta é não. A Psicologia Cognitiva é uma área básica e as Psicoterapias são áreas aplicadas de Psicologia que tem sua origem mais ou menos nessa mesma época. Só que nesse caso Aaron Beck criou a Psicoterapia Cognitiva e mais tarde outros pesquisadores associaram os conhecimentos das técnicas comportamentais a essa Psicoterapia formando a Terapia Cognitivo-Comportamental, mais isso é estudo para outro post.

Espero que tenham gostado desse resumo histórico, para mais informações consultem o livro da referência. Se gostaram, tem dúvidas ou críticas comentem e curtam.

Referência

Sternberg, R. J. (2010). Psicologia Cognitiva. Cengage Learning. SP.a

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